E se morrer fosse realmente a solução? Já pensou nisso? Em se entregar ao nada, à paz eterna, ao silêncio gélido e reconfortador? Já sentiu esse desejo? Esse que fica disfarçado atrás de um monte de convenções, de "sejas", de "faças", de "não fale". Esse que dói à noite, que aperta o peito. Que faz a cabeça correr e a respiração pesar.
Já me disseram que a morte não existe, que a gente continua vivo. Eu acredito nisso. Mas, às vezes, o pensar fica intimidado pelas lágrimas. Às vezes, o vazio é demais. E a esperança vai parecendo lâmpada fraca.
Às vezes, a gente olha cansado pra estrada, lombo doído, pé rachado, e parece que o peso do mundo faz a gente tombar. Você quer ajuda. Você busca ajuda. Mas só tem quem te diga que o jeito é andar.
Queria quem me levasse no colo. Que me deixasse descansar só um pouquinho, para eu não ter que voltar a caminhar.
Mas parece que o colo não vem. É tudo aridez e terra. Só me resta chorar. Choro doído esse de quem não vê esperança. De quem está sentado na poeira, no escuro, e tem que enxugar os olhos, levantar e caminhar.
Não adianta mesmo eu querer ficar aqui. Moço já me disse que pra frente é que se vai. E a morte, essa aí não existe.
Wal Costa
16/08/2017
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