Aja com sabedoria.
A boa impressão que você deixa nos outros é força a seu favor.

domingo, 2 de junho de 2019

_ Por que choras, criança?
_ Nada.
_ Como nada?
_ Nada.
_ Nada mesmo?
_ ... nada...
_ ...
_ ... foi só o desespero diante do medo da morte. Ou a dor pela imagem desfigurada.
_ ...
_ Mas não é nada.

Wal 
02/06/2019
O que faz meu coração bater é saber que você me ama.
Além da forma e da mágoa
Além da distância e do desejo
Você me ama.
Um amor tão grande
Que te causa tanto assombro.
Te faz desejar e fugir
Como se achasse que não merece.
Como se achasse que não pode.
Como se sentisse que iria abalar tudo aquilo no qual você alicerçou sua via até hoje.
Mas será mesmo que vale a pena?

Wal
01/06/2019
Versos bonitinhos são para crianças
Ou para dias de sol.
Eles ficam bem com sorrisos sinceros e comidas gostosas.
Com abraços de mãe
E beijos de pai.
Versos claros e cheirosos 
Como roupa recém lavada
Ou bolo recém assado.
Combinam com coração vibrante
E com paz de espírito.

Wal
01/06/2019

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Dedico linhas torpes e tortas
Ao tormento que inunda minha alma.
Sento e sinto tudo que borbulha
Num fervilhar descontrolado de pensamentos.
E vai-se o foco.
E vai-se a paz.
E vem o peso de pensar demais.
Pensar sem rumo, sem foco, sem fim.
Penso tanto que nem penso em mim
Mas nessa infinidade de revisitações do que foi
Misturadas às apreensões pelo que virá.
Bate culpa.
Bate medo.
Bate tristeza e sensação de que nada está bom,
De que nada é bom.
Pergunto-me se um dia será,
Se algum dia haverá paz.
Paz em mim
Paz comigo mesma.
Se um dia poderei ao menos
Respirar.

Wal
29/05/2019

sábado, 18 de maio de 2019

Qual é o seu maior bem? Dinheiro? Sua casa? Seu carro? Tudo isso e muito mais? Ou seria sua família, seus amigos? Sua saúde? Suas lembranças?
O que de mais precioso há?
Eu digo que é o tempo.
Essa coisa imaterial que tentamos transformar em número com nossas variadas formas de contá-lo.
Esse sopro que leva e trás tudo e todos. Essas águas que arrastam, desgastam, auxiliam na germinação ou destroem.
Contra ele não há ainda artefato tecnológico ou solução. 
É recurso caro. É recurso escasso. 
E nós teimamos em desperdiçá-lo, em deixá-lo passar.
Não o aproveitamos como deveríamos. Talvez por apatia, preguiça, desconhecimento ou até mesmo medo. Deixamos o tempo passar. Deixamos a vida passar. 
E quando se vê, já não há mais tempo.
Dizem que há tempo para tudo. Que não há mal que o tempo não cure. 
De que há lembranças que resistem ao tempo.
Até dizem que o tempo certo é o tempo de Deus, ou de Alá, ou de Jah, ou de sei lá.
Só sei que, assim como cantaram, ele não para.
E não se sabe quanto tempo mais se tem. 
Então, aproveite.
O tal futuro nada mais é do que o hoje que você viverá achando que é só mais um rotineiro dia normal.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

domingo, 15 de outubro de 2017

E se morrer fosse realmente a solução? Já pensou nisso? Em se entregar ao nada, à paz eterna, ao silêncio gélido e reconfortador? Já sentiu esse desejo? Esse que fica disfarçado atrás de um monte de convenções, de "sejas", de "faças", de "não fale". Esse que dói à noite, que aperta o peito. Que faz a cabeça correr e a respiração pesar. 

Já me disseram que a morte não existe, que a gente continua vivo. Eu acredito nisso. Mas, às vezes, o pensar fica intimidado pelas lágrimas. Às vezes, o vazio é demais. E a esperança vai parecendo lâmpada fraca. 

Às vezes, a gente olha cansado pra estrada, lombo doído, pé rachado, e parece que o peso do mundo faz a gente tombar. Você quer ajuda. Você busca ajuda. Mas só tem quem te diga que o jeito é andar. 
Queria quem me levasse no colo. Que me deixasse descansar só um pouquinho, para eu não ter que voltar a caminhar. 

Mas parece que o colo não vem. É tudo aridez e terra. Só me resta chorar. Choro doído esse de quem não vê esperança. De quem está sentado na poeira, no escuro, e tem que enxugar os olhos, levantar e caminhar. 

Não adianta mesmo eu querer ficar aqui. Moço já me disse que pra frente é que se vai. E a morte, essa aí não existe.

Wal Costa
16/08/2017
De que adianta, se você é lua?
Eu sou estrela, sou cometa
Sou errante.
Por mais que meu vôo seja rasante
Meu caminho e sua órbita não conseguem combinar.
Você orbita planeta brejeiro
De beleza e de guerra
De água e de fel.
Busco meu alento
Busco pouso
Busco um fim
Não um meio
Não um momento
Busco eternidade
Busco pó
Busco, na estrada, já não estar tão só.
E eu, viajante errante
Que causa admiração, desejo e medo
Só posso chorrar em segredo
Porque na minha cauda guardo tanta bagagem
Que não poderia pedir para você, lua
De toda essa poeira cuidar.


Procura-se amor

Procuro um destes amores lógicos, cheios de certezas e garantias. Desses que vem com casa, comida, roupa lavada, idas ao teatro e caminhadas no fim da tarde. Um que me elogie todos os dias e que me deseje todas as noites. Que se mostre de peito aberto e coração pulsante. Livre de todos os medos.

Procuro.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ah menina
Quem sabe, um dia desses,
Você resolve desvestir essa armadura
E pousa aqui.

Eu poderia te servir um café
Te falar do tempo
Te dar tempo pra descansar dessa vida dura.

Adoçaria seu pouso
Te daria regaço
Iria te mostrar a lua da varanda
E meu peito apertado.

E antes que você cismasse em bater asas
Eu tentaria um abraço
E faria o tempo abrir brecha
Pra você descansar assim
Aqui
Em mim.

Wal Costa

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Reticências

Quantas coisas cabem em simples reticências?
As lacunas nas quais você coloca reticências, eu preencho com meus pensamentos.
E em que eu penso? ...
...
...
Por que você se esconde atrás de três pontinhos tão castradores?
Por que você não deixa vir à tona todo esse desejo reprimido em reticências infindáveis?
Permita-se ser você.
Quem sabe...

Wal Costa